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A regra do contacto zero: o que é e quanto tempo deve durar

O que significa fazer contacto zero depois de uma separação, o que conta como contacto, quanto tempo mantê-lo e o que a investigação diz (e não diz) sobre isso.

Atualizado a 5 min de leituraFontes no fim

Contacto zero é isso mesmo: depois de uma separação, deixas de contactar durante algum tempo a pessoa com quem estavas. Nada de mensagens escritas, chamadas ou mensagens de voz. Nada de mensagens diretas, respostas às histórias dessa pessoa, gostos, mensagens de parabéns, «só para saber como estás» ou recados através de amigos.

Parece simples. É difícil porque a vontade de retomar o contacto costuma aparecer nos piores momentos: tarde da noite, depois de um copo ou num dia em que acontece alguma coisa que normalmente lhe contarias.

A investigação apoia a regra do contacto zero?

Enquanto regra, não. Nenhum estudo publicado testou o «contacto zero» como método, e nenhum testou uma duração fixa, como 30, 60 ou 90 dias.1 É uma prática de autoajuda.

O que os investigadores estudaram foi aquilo que o contacto zero corta: manter o contacto depois da separação e ir vigiando a outra pessoa. Os resultados apontam sobretudo num sentido, com algumas exceções reais.

  • Num estudo de um mês em que se perguntava a jovens adultos, em momentos aleatórios, o que sentiam depois de uma separação, o contacto com a outra pessoa andava a par de um amor e de uma tristeza que demoravam mais a diminuir.2
  • Num estudo com adultos recém-separados que mediu o contacto com gravações áudio, e não com base na memória, mais contacto presencial previu mais sofrimento dois meses depois. Isto só se verificou em quem não tinha filhos em comum.3
  • Ver o que a outra pessoa faz nas redes sociais previu mais sofrimento pela separação meses depois e no dia seguinte. Numa experiência, aumentou o humor negativo e os ciúmes.4

Estes estudos mostram sobretudo associações. Quem está a sofrer mais também pode ser quem mais procura o contacto. E o contacto não faz mal a toda a gente: num estudo, as pessoas que já tinham aceitado que a relação tinha acabado estavam melhor, e não pior, quando mantinham contacto.5 Ficar amigos parece correr mal sobretudo quando, no fundo, se trata da esperança de reatar.6

Por isso, a versão honesta é esta. Para a maioria das pessoas que ainda estão a sofrer, afastar-se do contacto dá espaço para os sentimentos se desvanecerem. É para isso que serve o contacto zero.

O que conta como contacto?

Um teste simples: tudo o que chega a essa pessoa, ou tudo o que mantém uma conversa viva.

  • Mensagens escritas, chamadas, mensagens de voz, e-mails e mensagens diretas em qualquer app
  • Responder ou reagir às histórias e publicações dessa pessoa
  • Ver as histórias dessa pessoa: no Instagram, fica a saber que as viste7
  • Pôr gosto ou comentar o que quer que seja
  • Mandar alguma coisa através de um amigo
  • Aparecer onde sabes que essa pessoa vai estar

Ver o perfil às escondidas não é contacto, mas mantém essa pessoa perto de ti, na tua cabeça. Há um guia sobre isso: porque continuas a ver o perfil dessa pessoa, e páginas passo a passo para a silenciar ou bloquear no Instagram, no TikTok, no Snapchat, no WhatsApp, no iPhone e no Facebook.

Quanto tempo deve durar o contacto zero?

Não há um número comprovado. Os 30, 60 e 90 dias que vais encontrar na internet são convenções, não conclusões de estudos. O mesmo vale para a ideia popular de que são precisas 11 semanas para esquecer alguém: o estudo que costuma ser citado para isso não diz tal coisa.8

O que a investigação mostra é que as pessoas diferem muito. Um estudo acompanhou 87 jovens mulheres holandesas durante 30 semanas depois de uma separação. Mais de 4 em cada 10 mantiveram-se relativamente estáveis do princípio ao fim, um quarto recuperou depressa, cerca de um quinto recuperou devagar e cerca de 1 em cada 10 continuou em sofrimento.9 Num grande estudo com jovens na Alemanha, a descida da autoestima depois de uma separação tinha desaparecido ao fim de um ano, quer tivessem encontrado outra pessoa, quer não.10

Um objetivo mais útil do que um número de dias: continua até essa pessoa deixar de ser o teu primeiro pensamento. O nocnt assinala os dias 3, 7, 14, 30, 60, 90, 180 e 365, mas são marcos para ires reparando, não prazos a cumprir.

Quando o contacto zero não é possível

Se têm filhos em comum, trabalham no mesmo sítio, partilham casa ou ainda têm dinheiro ou coisas para resolver, o contacto zero total pode não ser uma opção. A isto chama-se contacto mínimo:

  • Limita-te ao que tem mesmo de ser dito, por escrito sempre que possível.
  • Fica-te pela logística. Não reabras a relação.
  • Escolhe um canal e uma hora para o verificar, em vez de estares contactável o dia todo.

O estudo que associou o contacto presencial a uma recuperação mais lenta não encontrou esse efeito em quem tem filhos em comum.3 O contacto necessário não é um fracasso.

Se te estás a afastar porque essa pessoa te magoou ou te mete medo, a tua segurança vem primeiro. Nos EUA, a National Domestic Violence Hotline atende pelo 1-800-799-7233, ou podes enviar START por SMS para o 88788.11

Se quebrares o contacto zero

Acontece muito. Num estudo com jovens adultos, quase metade já tinha acabado e voltado pelo menos uma vez.12 Vale a pena saber que as relações que estão sempre a acabar e a voltar tendem a ter mais incerteza e mais problemas de comunicação, e esse vaivém anda a par de mais ansiedade e depressão.13 14

Se cedeste, isso não tem de significar nada. Não mandes uma segunda mensagem a explicar a primeira. Volta a contar. No nocnt, os teus dias anteriores ficam no histórico. Não foram em vão.

Quando procurar mais ajuda

Uma separação pode doer durante muito tempo e, para algumas pessoas, sobretudo as mais novas, é o início de uma depressão.15 Se o desânimo, as dificuldades em dormir ou a sensação de não estares a aguentar durarem semanas, fala com um médico ou com um terapeuta. Se estás em crise ou a pensar em fazer-te mal, liga ou envia uma mensagem para o 988 nos EUA, ou encontra uma linha de apoio no teu país em findahelpline.com.

Fontes

  1. As pesquisas na PubMed, na Crossref e na OpenAlex (setembro de 2026) não encontraram nenhum estudo revisto por pares sobre a «regra do contacto zero» enquanto método com nome próprio, nem sobre qualquer duração fixa de contacto zero. O que existe é investigação sobre manter o contacto depois de uma separação e sobre vigiar a outra pessoa, citada abaixo. ↩

  2. Sbarra, D. A., & Emery, R. E. (2005). The emotional sequelae of nonmarital relationship dissolution: Analysis of change and intraindividual variability over time. Personal Relationships, 12(2), 213–232. doi.org/10.1111/j.1350-4126.2005.00112.x. 58 jovens adultos, sentimentos avaliados em momentos aleatórios durante 28 dias; correlacional. ↩

  3. O’Hara, K. L., Grinberg, A. M., Tackman, A. M., Mehl, M. R., & Sbarra, D. A. (2020). Contact with an ex-partner is associated with psychological distress after marital separation. Clinical Psychological Science, 8(3), 450–463. doi.org/10.1177/2167702620916454. 122 adultos recém-separados; contacto medido com um gravador áudio ao longo de cinco meses. ↩ ↩2

  4. Marshall, T. C. (2026). Social media observation of ex-partners is associated with greater breakup distress, negative affect, and jealousy. Computers in Human Behavior, 176, 108869. doi.org/10.1016/j.chb.2025.108869. Quatro estudos, 762 pessoas, incluindo uma experiência e registos diários. ↩

  5. Mason, A. E., Sbarra, D. A., Bryan, A. E. B., & Lee, L. A. (2012). Staying connected when coming apart: The psychological correlates of contact and sex with an ex-partner. Journal of Social and Clinical Psychology, 31(5), 488–507. doi.org/10.1521/jscp.2012.31.5.488. 137 adultos recém-separados; transversal. ↩

  6. Griffith, R. L., Gillath, O., Zhao, X., & Martinez, R. (2017). Staying friends with ex-romantic partners: Predictors, reasons, and outcomes. Personal Relationships, 24(3), 550–584. doi.org/10.1111/pere.12197. ↩

  7. Instagram Help Center: Who can tell that you’ve seen their Instagram story. ↩

  8. O número das «11 semanas» costuma ser atribuído a Lewandowski, G. W., & Bizzoco, N. M. (2007). Addition through subtraction: Growth following the dissolution of a low quality relationship. The Journal of Positive Psychology, 2(1), 40–54. doi.org/10.1080/17439760601069234. O artigo é sobre o crescimento depois de sair de uma relação de baixa qualidade e não afirma nada sobre quanto tempo demora a recuperação. ↩

  9. Verhallen, A. M., Alonso-Martínez, S., Renken, R. J., Marsman, J.-B. C., & ter Horst, G. J. (2022). Depressive symptom trajectory following romantic relationship breakup and effects of rumination, neuroticism and cognitive control. Stress and Health, 38(4), 653–665. doi.org/10.1002/smi.3123. 87 mulheres dos 18 aos 34 anos, avaliadas de duas em duas semanas durante 30 semanas. ↩

  10. Luciano, E. C., & Orth, U. (2017). Transitions in romantic relationships and development of self-esteem. Journal of Personality and Social Psychology, 112(2), 307–328. doi.org/10.1037/pspp0000109. 9069 jovens de três coortes alemãs, acompanhados durante três anos. ↩

  11. National Domestic Violence Hotline, thehotline.org. Gratuita, confidencial, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Em caso de perigo imediato, liga para o 911. ↩

  12. Halpern-Meekin, S., Manning, W. D., Giordano, P. C., & Longmore, M. A. (2013). Relationship churning in emerging adulthood: On/off relationships and sex with an ex. Journal of Adolescent Research, 28(2), 166–188. doi.org/10.1177/0743558412464524. 792 jovens adultos. ↩

  13. Dailey, R. M., Pfiester, A., Jin, B., Beck, G., & Clark, G. (2009). On-again/off-again dating relationships: How are they different from other dating relationships? Personal Relationships, 16(1), 23–47. doi.org/10.1111/j.1475-6811.2009.01208.x. ↩

  14. Monk, J. K., Ogolsky, B. G., & Oswald, R. F. (2018). Coming out and getting back in: Relationship cycling and distress in same- and different-sex relationships. Family Relations, 67(4), 523–538. doi.org/10.1111/fare.12336. 545 pessoas; correlacional. ↩

  15. Monroe, S. M., Rohde, P., Seeley, J. R., & Lewinsohn, P. M. (1999). Life events and depression in adolescence: Relationship loss as a prospective risk factor for first onset of major depressive disorder. Journal of Abnormal Psychology, 108(4), 606–614. doi.org/10.1037/0021-843X.108.4.606. ↩

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