nocnt

Vontade de mandar mensagem para ex: o que fazer

A mensagem está pela metade e já é tarde. Como passar pelos próximos dez minutos sem enviar, o que realmente ajuda e o que fazer se você já mandou.

Atualizado em 4 min de leituraFontes no fim

A mensagem está pela metade. Talvez seja tarde, talvez algo tenha feito você lembrar da pessoa, talvez seja só saudade. Querer mandar mensagem para ex não é defeito de caráter. É uma das partes mais comuns de um término. A tarefa agora não é parar de querer. É não enviar hoje à noite.

Não decida nada por dez minutos

Deixe a decisão para depois e coloque um timer de dez minutos. Enquanto ele corre, observe a vontade em vez de discutir com ela: onde você sente no corpo, o que ela quer que você faça, como ela muda.

Isso se chama urge surfing, ou “surfar a vontade”. Vem da prevenção de recaída no tratamento de dependências, e não tem a ver com fazer a vontade sumir. Num ensaio com fumantes, a técnica não deixou a fissura mais fraca, mas quem aprendeu fumou menos na semana seguinte.1 A ideia aqui é a mesma: você pode ter vontade de mandar mensagem e, mesmo assim, não mandar.

Aguentar firme por 10 minutos traz um timer e algumas orientações.

Escreva num lugar de onde não dá para enviar

A mensagem costuma querer sair. Escreva tudo, sem editar, num lugar de onde ela não chegue até a pessoa, e depois se livre dela. Escrever e queimar faz isso no seu navegador. Nada é enviado nem salvo.

Escrever sobre sentimentos é estudado há décadas. Em média, ajuda, mas só um pouco.2 Depois de um término, um pequeno experimento descobriu que escrever sobre o lado positivo do término aumentou os sentimentos positivos das pessoas logo em seguida.3

Um cuidado. Se escrever fizer você remoer as mesmas perguntas de novo e de novo, pare. Para quem continuava buscando sentido numa separação, a escrita emocional profunda esteve associada a uma recuperação pior meses depois.4 Um bilhete curto e bagunçado que você queima é diferente de passar horas revivendo tudo.

Ocupe a cabeça com outra coisa

Uma teoria sobre a fissura diz que ela começa como um pensamento passageiro e cresce conforme você preenche os detalhes: a voz da pessoa, a resposta, como tudo poderia ser.5 Algo envolvente, que ocupe seus olhos e suas mãos, pode interromper isso. Num pequeno estudo, três minutos de Tetris aliviaram a fissura do dia a dia por comida, bebida e drogas.6

A distração não vai fazer você deixar de se importar. Num pequeno estudo de laboratório com pessoas que ainda não tinham superado um término, a distração não mudou os sentimentos delas pela outra pessoa, mas melhorou o humor.7 Pelos próximos dez minutos, isso basta. Estoure umas bolhas, lave uns pratos ou dê uma volta no quarteirão.

Respire mais devagar

A respiração lenta, em torno de seis respirações por minuto, está associada a sinais mais calmos no corpo e a uma sensação maior de relaxamento.8 9 No conjunto dos ensaios, práticas de respiração reduziram de forma modesta o estresse e a ansiedade.10 Isso não resolve nada, mas pode baixar o volume. Respire por dois minutos: inspire por cinco segundos, expire por cinco.

Pergunte para que serve a mensagem

Antes de enviar qualquer coisa, complete esta frase com sinceridade: “Quero mandar mensagem para essa pessoa porque quero…”

  • saber que eu ainda importo
  • que a pessoa entenda o quanto doeu
  • uma resposta para o porquê
  • não sentir tanta solidão hoje à noite

A maioria dessas coisas depende de como a pessoa vai responder, e essa parte não está nas suas mãos. Uma resposta pode não trazer o que você espera, e a falta de resposta pode deixar a noite mais difícil. Uma parte disso você consegue encontrar em outro lugar: mande mensagem para uma pessoa amiga e conte que a noite está difícil.

Se uma parte de você acredita que essa pessoa era “a pessoa certa”, a vontade provavelmente vai ser mais forte. Quem acredita que um relacionamento era predestinado entra mais em contato com ex e fica mais de olho.11 Vale notar essa crença, não obedecer a ela.

Deixe a próxima vez um pouco mais difícil

Quando estiver com a cabeça mais no lugar, crie um pouco de atrito:

  • Arquive ou silencie a conversa, para ela não ficar no topo das suas mensagens.
  • Desafixe a conversa e tire a pessoa dos seus favoritos.
  • Silencie os posts e stories da pessoa. Tem passo a passo para cada app.
  • Anote por que você parou, enquanto ainda enxerga isso com clareza, e leia quando a vontade voltar. O nocnt guarda isso em “Por que parei”.

Se você já mandou

Aconteceu. Você não precisa mandar uma segunda mensagem para explicar a primeira, nem passar a noite esperando resposta. Deixe o celular em outro cômodo esta noite. Amanhã, comece a contar de novo. No nocnt, seus dias anteriores ficam no histórico. Não foram em vão.

Se for mais do que uma vontade

Se você não se sentir em segurança, ou se tudo parecer demais, ligue ou mande mensagem para o 988 nos EUA, ou encontre uma linha de apoio onde você mora em findahelpline.com. A 988 Lifeline diz que você não precisa estar pensando em suicídio para pedir ajuda.

Fontes

  1. Bowen, S., & Marlatt, A. (2009). Surfing the urge: Brief mindfulness-based intervention for college student smokers. Psychology of Addictive Behaviors, 23(4), 666–671. doi.org/10.1037/a0017127. Ensaio randomizado, 123 estudantes fumantes. ↩

  2. Frattaroli, J. (2006). Experimental disclosure and its moderators: A meta-analysis. Psychological Bulletin, 132(6), 823–865. doi.org/10.1037/0033-2909.132.6.823. 146 estudos randomizados; efeito médio pequeno. ↩

  3. Lewandowski, G. W. (2009). Promoting positive emotions following relationship dissolution through writing. The Journal of Positive Psychology, 4(1), 21–31. doi.org/10.1080/17439760802068480. 87 pessoas que tinham terminado havia pouco tempo; sem mudança nos sentimentos negativos. ↩

  4. Sbarra, D. A., Boals, A., Mason, A. E., Larson, G. M., & Mehl, M. R. (2013). Expressive writing can impede emotional recovery following marital separation. Clinical Psychological Science, 1(2), 120–134. doi.org/10.1177/2167702612469801. ↩

  5. Kavanagh, D. J., Andrade, J., & May, J. (2005). Imaginary relish and exquisite torture: The elaborated intrusion theory of desire. Psychological Review, 112(2), 446–467. doi.org/10.1037/0033-295X.112.2.446. Um artigo teórico. ↩

  6. Skorka-Brown, J., Andrade, J., Whalley, B., & May, J. (2015). Playing Tetris decreases drug and other cravings in real world settings. Addictive Behaviors, 51, 165–170. doi.org/10.1016/j.addbeh.2015.07.020. 31 estudantes ao longo de uma semana; não é sobre términos. ↩

  7. Langeslag, S. J. E., & Sanchez, M. E. (2018). Down-regulation of love feelings after a romantic break-up: Self-report and electrophysiological data. Journal of Experimental Psychology: General, 147(5), 720–733. doi.org/10.1037/xge0000360. 24 pessoas; efeitos de curto prazo, em laboratório. ↩

  8. Zaccaro, A., Piarulli, A., Laurino, M., Garbella, E., Menicucci, D., Neri, B., & Gemignani, A. (2018). How breath-control can change your life: A systematic review on psycho-physiological correlates of slow breathing. Frontiers in Human Neuroscience, 12, 353. doi.org/10.3389/fnhum.2018.00353. 15 estudos pequenos com adultos saudáveis. ↩

  9. Lehrer, P. M., & Gevirtz, R. (2014). Heart rate variability biofeedback: How and why does it work? Frontiers in Psychology, 5, 756. doi.org/10.3389/fpsyg.2014.00756. A fonte do ritmo de “cerca de seis respirações por minuto”. ↩

  10. Fincham, G. W., Strauss, C., Montero-Marin, J., & Cavanagh, K. (2023). Effect of breathwork on stress and mental health: A meta-analysis of randomised-controlled trials. Scientific Reports, 13, 432. doi.org/10.1038/s41598-022-27247-y. ↩

  11. Thompson, A. E., Gooch, K., Willhite, R. M., & O’Sullivan, L. F. (2025). We were meant to be: Do implicit theories of relationships and perceived partner fit help explain post-relationship contact and tracking behaviors following a breakup? Personal Relationships, 32(1), e12591. doi.org/10.1111/pere.12591. ↩

Experimente agora