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Contato zero dia a dia: como costumam ser os primeiros meses

Como costumam ser os primeiros dias, semanas e meses de contato zero, e o que geralmente ajuda em cada fase. Com base na experiência comum e em pesquisas.

Atualizado em 3 min de leituraFontes no fim

Não existe um cronograma fixo para superar alguém, e as pessoas variam muito.1 Mas algumas coisas aparecem com tanta frequência que ajuda saber delas de antemão. As fases abaixo descrevem o que as pessoas costumam relatar. Não são um cronograma clínico, e as suas semanas podem ser diferentes. Onde a pesquisa tem algo a dizer, tem link.

Dias 1–3: os primeiros dias costumam ser os mais difíceis

A vontade de mandar mensagem costuma ser mais forte agora. Estes primeiros dias são difíceis: o celular está sempre à mão, e ainda não tem muita coisa pra preencher esse vazio. Os sentimentos também costumam oscilar mais logo depois de um término.2

O que costuma ajudar: qualquer coisa que faça você parar um segundo antes de mandar mensagem. Silencie os posts dessa pessoa, tire a conversa de vista e escreva o que você quer dizer num lugar de onde não dá para enviar.

Dias 4–14: os dias ficam mais fáceis, as noites continuam difíceis

Você começa a passar boa parte do dia sem pensar nessa pessoa. As noites são mais difíceis: tem menos coisa pra fazer, e você passou o dia inteiro juntando coisas que queria contar.

O que costuma ajudar: anote seus motivos para cortar o contato enquanto está com a cabeça no lugar, e leia de novo quando bater a tentação de procurar a pessoa.

Dias 15–30: dói menos, e é aí que bate a dúvida

Surge um pensamento: não era tão ruim assim. A memória suaviza primeiro as piores partes. Muitas vezes é aí que entrar em contato começa a parecer inofensivo. Não acontece no meio de uma crise, mas numa noite qualquer, quando uma mensagem não parece que vai mudar nada.

Vale saber o que o contato costuma provocar. Num estudo de um mês que perguntava a jovens adultos, em momentos aleatórios depois de um término, como estavam se sentindo, o contato com ex esteve ligado a um amor e uma tristeza que diminuíam mais devagar.2

O que costuma ajudar: releia o que você escreveu no começo. Naquela época, você via seus motivos com mais clareza.

Dias 31–90: essa pessoa já não é seu primeiro pensamento

Acontece alguma coisa, e você percebe que não correu pro celular pra contar. As lembranças continuam, mas já não doem tanto. Um ou dois dias ruins nessa fase não significam que você está voltando atrás.

A pesquisa confirma como esse período pode ser diferente de uma pessoa para outra. Num estudo que acompanhou 87 mulheres jovens por 30 semanas depois de um término, mais de 4 em cada 10 se mantiveram razoavelmente estáveis o tempo todo, um quarto se recuperou rápido e cerca de um quinto se recuperou devagar.1

O que costuma ajudar: se as fotos ou a conversa antiga ainda puxam você de volta, tire-as de vista por um tempo.

Do dia 91 em diante: o contato zero começa a parecer normal

Depois de alguns meses, você pensa cada vez menos em entrar em contato. Num grande estudo com jovens na Alemanha, a queda na autoestima depois de um término tinha desaparecido em até um ano, com ou sem um novo relacionamento.3 E num estudo que acompanhou jovens adultos dos 20 aos 28 anos, o quanto um término fez alguém sofrer aos 20 não previu como essa pessoa estava aos 28. Quem tinha sofrido mais naquela época tendeu a mostrar mais habilidades de relacionamento depois.4

O que costuma ajudar: use o app quando ele ajudar. Tudo bem esquecer dele por um tempo.

Os dias de marco

O nocnt marca os dias 3, 7, 14, 30, 60, 90, 180 e 365. São momentos para perceber, não prazos. Nenhum estudo encontrou um número de dias que funcione para todo mundo. Mais sobre isso no guia a regra do contato zero.

Se não estiver ficando mais fácil

Para algumas pessoas, continua difícil por meses. No estudo de 30 semanas citado acima, cerca de 1 em cada 10 continuou em sofrimento o tempo todo, e remoer o término sem parar era mais comum entre quem se recuperou devagar ou não se recuperou.1 Para algumas pessoas, principalmente as mais jovens, um término é o começo de uma depressão.5

Se o desânimo, a dificuldade para dormir ou a sensação de não dar conta durarem semanas, converse com um médico ou um terapeuta. Se você estiver em crise ou pensando em se machucar, ligue ou mande mensagem para o 988 nos EUA, ou encontre uma linha de apoio no seu país em findahelpline.com.

Fontes

  1. Verhallen, A. M., Alonso-Martínez, S., Renken, R. J., Marsman, J.-B. C., & ter Horst, G. J. (2022). Depressive symptom trajectory following romantic relationship breakup and effects of rumination, neuroticism and cognitive control. Stress and Health, 38(4), 653–665. doi.org/10.1002/smi.3123. 87 mulheres holandesas de 18 a 34 anos, avaliadas a cada duas semanas por 30 semanas. ↩ ↩2 ↩3

  2. Sbarra, D. A., & Emery, R. E. (2005). The emotional sequelae of nonmarital relationship dissolution: Analysis of change and intraindividual variability over time. Personal Relationships, 12(2), 213–232. doi.org/10.1111/j.1350-4126.2005.00112.x. 58 jovens adultos ao longo de 28 dias; correlacional. ↩ ↩2

  3. Luciano, E. C., & Orth, U. (2017). Transitions in romantic relationships and development of self-esteem. Journal of Personality and Social Psychology, 112(2), 307–328. doi.org/10.1037/pspp0000109. 9.069 jovens em três coortes alemãs. ↩

  4. Shulman, S., & Yonatan-Leus, R. (2024). The longitudinal correlates of breakup distress in early young adulthood: Future distress and future benefits. Journal of Social and Personal Relationships, 41(10), 3008–3030. doi.org/10.1177/02654075241260358. 124 jovens adultos acompanhados dos 20 aos 28 anos. ↩

  5. Monroe, S. M., Rohde, P., Seeley, J. R., & Lewinsohn, P. M. (1999). Life events and depression in adolescence: Relationship loss as a prospective risk factor for first onset of major depressive disorder. Journal of Abnormal Psychology, 108(4), 606–614. doi.org/10.1037/0021-843X.108.4.606. ↩

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