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Contacto zero, dia a dia: como costumam ser os primeiros meses

Como costumam ser os primeiros dias, semanas e meses de contacto zero, e o que costuma ajudar em cada fase. Com base em experiências comuns e na investigação.

Atualizado a 4 min de leituraFontes no fim

Não há um calendário fixo para esquecer alguém, e as pessoas diferem muito.1 Mas há coisas que aparecem com tanta frequência que ajuda conhecê-las de antemão. As fases abaixo descrevem o que as pessoas relatam com frequência. Não são uma cronologia clínica, e as tuas semanas podem ser diferentes. Quando a investigação tem alguma coisa a dizer, indicamos a fonte.

Dias 1–3: os primeiros dias costumam ser os mais difíceis

A vontade de mandar mensagem costuma ser mais forte agora. Estes primeiros dias são difíceis: tens o telemóvel sempre à mão e ainda há pouca coisa a preencher esse vazio. Os sentimentos também tendem a oscilar mais logo a seguir a uma separação.2

O que costuma ajudar: tudo o que te faça parar um segundo antes de mandar mensagem. Silencia as publicações dessa pessoa, tira a conversa de vista e escreve o que queres dizer num sítio de onde não possa ser enviado.

Dias 4–14: os dias ficam mais fáceis, as noites continuam difíceis

Começas a passar boa parte do dia sem pensar nessa pessoa. As noites são mais difíceis: há menos para fazer e passaste o dia inteiro a juntar coisas que lhe querias contar.

O que costuma ajudar: escreve os motivos que te levaram a cortar o contacto enquanto tens a cabeça fria, e relê-os quando te apetecer retomar o contacto.

Dias 15–30: dói menos, e é aí que a dúvida se instala

Surge um pensamento: não foi assim tão mau. A memória suaviza primeiro as piores partes. É muitas vezes nesta altura que retomar o contacto começa a parecer inofensivo. Não acontece numa crise, mas numa noite qualquer, quando parece que uma mensagem não vai mudar nada.

Vale a pena saber o que o contacto costuma fazer. Num estudo de um mês em que se perguntava a jovens adultos, em momentos aleatórios, o que sentiam depois de uma separação, o contacto com a outra pessoa andava a par de um amor e de uma tristeza que demoravam mais a diminuir.2

O que costuma ajudar: relê o que escreveste no início. Nessa altura, vias os teus motivos com mais clareza.

Dias 31–90: essa pessoa já não é o teu primeiro pensamento

Acontece alguma coisa e reparas que não pegaste no telemóvel para lhe contar. As memórias ficam, mas já não doem tanto. Um ou dois dias maus nesta fase não significam que estás a andar para trás.

A investigação confirma que este período pode ser muito diferente de pessoa para pessoa. Num estudo que acompanhou 87 jovens mulheres durante 30 semanas depois de uma separação, mais de 4 em cada 10 mantiveram-se relativamente estáveis do princípio ao fim, um quarto recuperou depressa e cerca de um quinto recuperou devagar.1

O que costuma ajudar: se as fotografias ou a vossa conversa antiga ainda te puxam para trás, tira-as de vista durante algum tempo.

Do dia 91 em diante: estar sem contacto começa a parecer normal

Ao fim de alguns meses, pensas cada vez menos em retomar o contacto. Num grande estudo com jovens na Alemanha, a descida da autoestima depois de uma separação tinha desaparecido ao fim de um ano, quer tivessem encontrado outra pessoa, quer não.3 E num estudo que acompanhou jovens adultos dos 20 aos 28 anos, o quanto uma pessoa tinha ficado abalada com uma separação aos 20 não previa como estava aos 28. Quem tinha passado por mais dificuldades nessa altura tendia a mostrar, mais tarde, mais competências relacionais.4

O que costuma ajudar: usa a app quando te ajudar. Não faz mal esqueceres-te dela durante algum tempo.

Os dias dos marcos

O nocnt assinala os dias 3, 7, 14, 30, 60, 90, 180 e 365. São momentos para reparares, não prazos. Nenhum estudo encontrou um número de dias que funcione para toda a gente. Há mais sobre isso em a regra do contacto zero.

Se não estiver a ficar mais fácil

Para algumas pessoas, continua difícil durante meses. No estudo de 30 semanas referido acima, cerca de 1 em cada 10 manteve-se em sofrimento do princípio ao fim, e dar voltas e mais voltas à separação era mais comum entre quem recuperou devagar ou não recuperou.1 Para algumas pessoas, sobretudo as mais novas, uma separação é o início de uma depressão.5

Se o desânimo, as dificuldades em dormir ou a sensação de não estares a aguentar durarem semanas, fala com um médico ou com um terapeuta. Se estás em crise ou a pensar em fazer-te mal, liga ou envia uma mensagem para o 988 nos EUA, ou encontra uma linha de apoio no teu país em findahelpline.com.

Fontes

  1. Verhallen, A. M., Alonso-Martínez, S., Renken, R. J., Marsman, J.-B. C., & ter Horst, G. J. (2022). Depressive symptom trajectory following romantic relationship breakup and effects of rumination, neuroticism and cognitive control. Stress and Health, 38(4), 653–665. doi.org/10.1002/smi.3123. 87 mulheres holandesas dos 18 aos 34 anos, avaliadas de duas em duas semanas durante 30 semanas. ↩ ↩2 ↩3

  2. Sbarra, D. A., & Emery, R. E. (2005). The emotional sequelae of nonmarital relationship dissolution: Analysis of change and intraindividual variability over time. Personal Relationships, 12(2), 213–232. doi.org/10.1111/j.1350-4126.2005.00112.x. 58 jovens adultos ao longo de 28 dias; correlacional. ↩ ↩2

  3. Luciano, E. C., & Orth, U. (2017). Transitions in romantic relationships and development of self-esteem. Journal of Personality and Social Psychology, 112(2), 307–328. doi.org/10.1037/pspp0000109. 9069 jovens de três coortes alemãs. ↩

  4. Shulman, S., & Yonatan-Leus, R. (2024). The longitudinal correlates of breakup distress in early young adulthood: Future distress and future benefits. Journal of Social and Personal Relationships, 41(10), 3008–3030. doi.org/10.1177/02654075241260358. 124 jovens adultos acompanhados dos 20 aos 28 anos. ↩

  5. Monroe, S. M., Rohde, P., Seeley, J. R., & Lewinsohn, P. M. (1999). Life events and depression in adolescence: Relationship loss as a prospective risk factor for first onset of major depressive disorder. Journal of Abnormal Psychology, 108(4), 606–614. doi.org/10.1037/0021-843X.108.4.606. ↩

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